28.1.13

Das luas que colorem de branco o negro desconhecido

Tenho me inspirado muito na lua, enxergando noites invisíveis. Imaginando loucuras em subúrbios frios e esquecidos pela madrugada. Sinto como se parte do meu cérebro fosse como a noite, sempre escura, misteriosa, que causa receio e medo de algo inesperado. É sempre pelas noites que ocorrem os mais tristes desfechos, os crimes mais perfeitos, os discursos de amor mais inspirados.
A luz do sol impede que possamos pensar com a profundidade que a lua nos permite. Já imaginou a luz da lua no fundo do mar? Pense na impossível cena de sermos alma de um ser dos oceanos, e lá da mais abissal profundeza enxergarmos o reflexo lunar cortando o fundo do mar de acordo com a vontade da maré. Pense naquela solidão, na escuridão tenebrosa e sem solução, um deserto de cachoeiras submersas, barcos enferrujados e seus copos cheios de areia, tendo como companhia apenas a doce sensação de se estar em um lugar onde nada há. além da luz da lua lá fora. Pense.

19.1.13

Palavras sobre o escrever


" A verdade está em alguma parte: mas inútil pensar. Não a descobrirei e no entanto vivo dela."
(Clarice Lispector)

Escrever é forma de traduzir sentimentos vivos numa folha de papel. É tentar transcrever trechos desde vazio até o intenso trânsito de pensamentos dentro de uma mente que vive o mundo.
Escrever é libertação, é vida, é papel, caneta e emoção. Ou loucura, que baseia a ficção, tornando-a realidade. É falta de lucidez e total sensibilidade, para tudo e para todos. É buscar o que não se sabe, ou entender aquilo que pensamos saber. É crer, ver e observar com outros olhos.
Escrever é simplesmente deixar sair, deixar as mãos comandarem ao menos uma vez o que se passa dentro do profundo submundo de um ser humano, jogando pra fora mágoas, tristezas, alegrias, planos, devaneios, idéias, vontades. É ser ao menos uma vez o que nunca somos, e sempre tentamos ser.
Escrever nos impede de mentir, ao menos pra mim. Não escrevo o que não penso e sinto, minhas mãos param, meus olhos fecham, minha mente sangra e meu corpo estremece. Não posso ser o que não sou, pois já me esforço pra ser somente eu.
É deixar a verdade falar mais alto, apenas na simplicidade do pensar e sentir, e dessa forma as palavras vão se encontrando, com rumo própio, nós apenas as fixamos na matéria.
Escrever, como já dito, é vida, como palavras correndo nas veias. É a busca incessante por algo que não sabemos, porém descobrimos.
Escrever é arte, é sangue, emoção e lágrimas caindo no papel, em qualquer forma, ou em forma nenhuma.
Escrever é tudo, e nada, escrever, nada mais é do que ser, e saber, tudo que somos e ainda podemos ser.
Escrever é como nascer, crescer e morrer... escrever, é como viver!
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Texto publicado originalmente em 16 de novembro de 2006, no blog Ensaios sobre a vida: Link