Difícil é tomar notas, já dizia Ivan Lessa. As etc's todo mundo diz. A questão é saber-se livre para falar absurdos e canções de ninar ponto final
4.3.13
Outside
Fugiu do retiro psiquiátrico quando dona Carmem abriu os portões pra jogar o lixo. O vestido agarrou no latão, atrasando o retorno da monitora.
Saiu saltitante feito um animal descontrolado. Molhou os pés na lagoa, assobiou Mozart para um casal de namorados, deu tchau para uma criança e foi correspondido.
Na cidade viu motoristas se xingando, pessoas correndo, e nos jornais homens se matando. Deu risada. Parou na Cantina da Esquina e pediu um café. Estava bem arrumado pelas meninas do turno anterior. Camisa abotoada corretamente, sapato de camurça sem cadarço e calça marrom. Tomou o café vagarosamente, fingiu ler os jornais e pareceu interessado olhando pra TV. Estava ligada, mas é como se não estivesse.
Saiu, comprou livros, de Erasmo à Heminghway. Foi andando pelas ruas, se equilibrando em meios fios, até chegar na praça. Com frio, se encolheu enquanto lia. Não entendeu muita coisa do tal que falava de loucura. Andou mais.
Chegou aos limites da cidade. Pediu carona. Ganhou. Nunca mais se viu.
Foi viver a sua loucura, onde se encontram a maior parte daqueles que são como ele: do lado de fora.
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