3.3.13

Ponteiros

A camisa dele era uma daquelas listradas, entre o social e o esporte fino. Ela usava uma regata vermelha por cima de uma camiseta azul. Adora criar estilos. Estavam juntos havia alguns minutos, talvez uns 20. Ele queria se aproximar do cabelo dela, que cheirava maravilhosamente. Ela queria sentir a pele aquecida do braço dele, em uma sensação de segurança. Eles estavam conectados.
Ele logo precisava ir embora. A passagem já estava no bolso direito da calça, e ela preferia não se lembrar. Ainda haviam, sei lá, 15 minutos para ficarem ali, sentados naquele banco de pedra da rodoviária. Ele voltaria para sua rotina na cidade maior, e ela apenas iria seguir a dela na cidade pequena. O tempo voava tão depressa que parecia que pessoas adiantavam o relógio de algum lugar.
Eles não sabiam se estavam apaixonados. A única certeza de ambos era que estavam onde queriam estar. E que aquelas poucas centenas de segundos seria todo o motivo da saudade na hora seguinte.
Ele sempre prometeu voltar, e ele sempre volta. Ela promete que vai esperar, e sempre não vê a hora de chegar ao fim toda espera que conta, riscando os dias no calendário, na esperança de dormir e ver os dias correrem feito pássaros.
Cada instante longe do complemento é um dia lento, e cada minuto ao lado do que se completa o vento leva. E a vida segue sendo um apanhado de momentos, sonhos, e experiências rotineiras. Nem sempre se chora e nem sempre se pode sorrir. Mas o mais importante é sempre estar disposto a valorizar a oportunidade de poder esperar por alguém ou pelo sonho que um dia vem.

Um comentário:

Giselta Veiga disse...

Surpreende descobrir perto de você pessoas com o dom da palavra! E muitas vezes a grandeza da descrição ou então da modéstia a mantem no anonimato. Porém, como tudo tem seu momento oportuno,hoje tive a satisfação de conhecer e reconhecer um escritor.
Gostei muito, parabéns, amigo!