27.2.13

Fantasias e fugas


A condenação de viver somente a realidade seria uma das mais duras penas, se não fosse o fato de possuirmos uma mente que nos eleva a outros patamares quando necessário. Não é possível apenas ser o que somos e viver o que vivemos. Uma "realidade alternativa" se faz necessária para que possamos nos desligar. Por mais ridícula e infantil que seja, uma fantasia deve haver e habitar nossas vidas tão sérias e cheias de coisas importantes. Se não nos dermos ao luxo de flashes de loucura programada, ou de simplesmente algo fora do normal, podemos facilmente pifar, e nem sempre custa barato o conserto.
A sociedade se acostumou a viver em linha reta, onde não há espaço para desvios, trajetos que nos levem ao desconhecido, algo que saia de nossa rotina. A forma mais encontrada pelo humano de se "desconectar" é a inserção quase que compulsória de entorpecentes, incluindo em destaque as bebidas alcoólicas. A fuga da vida real é tentada através dessa perda momentânea da consciência, que impede ao menos por instantes que possamos pensar no que é realmente necessário. Pessoalmente acho esta a mais suja  e degradante forma que o homem encontra para se esconder. Não poderemos nunca ignorar o que somos e o que temos que ser e fazer, mas distorcer nossa imagem perante nossa comunidade não se mostra viável, muitas vezes nos nomeando como fracos e impossibilitados de lidar com os problemas.
E assim somos e é certeza que, oculta ou não, sofremos do mal da fraqueza. A diferença é a forma com que cada qual se sente e reage sendo fraco, sendo um simples e complicado ser que vive.

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