9.2.13

Outros carnavais

Lembro-me dos trios elétricos passando pela avenida da rodoviária, a maior da cidade lá na terra onde nasci. Os blocos corriam contra o tempo para se animarem e animar a todos. Parentes de longe iam passar o período de parada nacional na cidade natal. Salsichão, churrasquinho, churros e muitos doces (a cocada era minha favorita). Uma fábrica velha de um lado, do outro a cidade, um hotel, o supermercado fechado servia de encosto dos passantes. Tudo tão simples e deixado tão longe. O trailer de lanche perto da ponte, o hamburguer sem milho, a Fanta Uva. Gente sentada na calçada, namorados, pais, filhos. Quase meia noite era o limite da hora de ir pra casa. Antes ainda, posso pegar um algodão doce?
Em casa, nenhum cansaço, na TV, o mesmo de sempre para não ver.
São as melhores lembranças que a festa do fevereiro me remete. Hoje em dia prefiro o sossego, a solidão. Uma sacada na madrugada, uma música alheia ao longe, um hotel com duas janelas iluminadas, carros misteriosos passando pro interior e para a estrada.
Um livro, um sono, um colchão. E a necessidade pujante de paz mental, longe de máscaras e confetes.
Longe das festas que pelo Brasil aumentam níveis alcoólicos no sangue do povo, diminuem a audição dos que seguem violentos trios com suas letras etílicas gritadas e do sexo disposto em cada esquina ou em cada canto. Enquanto a massa nacional busca no Carnaval a permissão para a folia, eu peço permissão para ler e lembrar da minha infância. Gosto bem mais do meu estilo, particularmente.

Um comentário:

Carol Nery disse...

Sinto muito... Nada de solidão pra vc.
Lindo texto. O que remete a infância, quase sempre nos emociona.