18.2.13

Quando Nelson Rodrigues me falou


"O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até morrer, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo."
Nelson Rodrigues (27/12/1967)

Estou lendo uma coletânea de crônicas do gigante Nelson Rodrigues. Comecei a ler como curiosidade, afinal, nunca tinha tido muito acesso ao seus textos. E fui literalmente consumido. Deixei outros livros de lado e leio Nelson no ônibus, no trabalho, andando, sentado. A forma na qual ele conta seu infantil cotidiano carioca na década de 1910, conversas, bares, funerais. A linguagem de Nelson Rodrigues me encanta. A forma despojada, cínica e ao mesmo tempo elegante me incentivam bastante agora nos novos rumos tomados.
Me inspiro em quem fez diferente, em quem faz. Me canso do repetido, do já lido. Jamais terei uma mente como a de Nelson, Paulo Francis, Millôr ou Ivan Lessa, mas uso a escrita destes mestres como forma de tentar fazer algo distinto, que se separe do incontagiante padrão politicamente correto, quando nada mais se pode dizer, brincar ou reclamar.
Faz sentido todos os citados já terem partido para outra, afinal, enquanto a escrita se torna monótona, emburrecemos, perdemos luz, e isso só pode ser bom para quem não gosta de ler/ouvir a verdade, e extremamente ruim para quem insiste em pensar diferente.

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